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sábado, 20 de junho de 2015

CASINHAS: Acompanhe as obras de acabamento da UBS de Serra Verde

Blog do Agaci Soares
Da Redação

Acompanhe agora com exclusividade algumas imagens das obras de acabamento da Unidade Básica de Saúde de Serra Verde. Um antigo sonho realizado, a prefeita foi até lá acompanhar e cobrar agilidade nas obras que dentro de poucos dias será entregue a população.

Em visita a prefeita de Casinhas disse: "Implantei esta unidade em minha segunda gestão, oito anos se passaram e nada foi feito, nada foi construído, o posto funciona em uma casa de forma precária, a população sabe disso, e quem quiser passe em Serra Verde e veja como está funcionando, mas com fé em Deus e forças para trabalhar entregaremos uma unidade nova, equipada, ampla e com estrutura para atender toda a região, são mais de 10 salas, estou muito feliz em poder nesta minha terceira gestão voltar para concluir um sonho daquele povo iniciado por mim."



sexta-feira, 29 de maio de 2015

Pobre pode ter boletim escolar de rico?

Blog do Agaci Soares
Fonte: Exame.com

São Paulo - O centro das principais cidades dos Estados Unidos é para os americanos o que são as favelas para os brasileiros. Nesses bairros, 40% da população vive abaixo da linha da pobreza.
Educação
Entre os negros que vivem nessas regiões, a expectativa de vida é menor do que a do México. Metade das crianças é criada apenas pelas mães, o que as torna mais suscetíveis à pobreza. Para piorar, há pouca chance de ascensão, já que a educação é péssima; e a evasão, alta. Mais de 30% dos jovens não acabam o ensino médio. 

É nesse contexto que uma rede de escolas de Nova York tem conseguido resultados auspiciosos. Todas as 32 unidades da Success Academy ficam em bairros pobres, como o Harlem. Três em cada quatro alunos vêm de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza. Ainda assim, a Success Academy tem desempenho comparável ao de escolas de bairros ricos — e muito superior à média da cidade.

Nas últimas provas de inglês aplicadas pelo governo do estado de Nova York, apenas 29% dos alunos de escolas públicas foram aprovados. Entre os alunos da Success Academy, o percentual foi de 64%. Em matemática, os resultados foram ainda melhores: 35% dos alunos de escolas públicas obtiveram o resultado mínimo, ante 94% da rede de escolas.

Fundada em 2006, a Success Academy é parte de um modelo educacional que tem ganhado força nos Estados Unidos: as chamadas charter schools, espécie de parceria público-privada para a educação. Elas recebem dinheiro público, mas são administradas de forma independente. Como não precisam contratar professores sindicalizados, podem demitir sem dor de cabeça.

Em contrapartida, têm de satisfazer algumas exigências: não podem cobrar mensalidade, são proibidas de selecionar os alunos e devem seguir o currículo estadual. “As charter foram criadas para testar novas estratégias”, diz Margaret Raymond, professora de política educacional na Universidade Stanford.
Marcação cerrada

Na Success Academy, os professores — a maioria recém-saídos da universidade — trabalham até 11 horas por dia. Vigiados por supervisores, são constantemente colocados em um ranking feito com base nos resultados dos alunos. A direção faz questão de dizer que os problemas de aprendizagem das turmas são um retrato do trabalho dos professores.

As deficiências de crianças e jovens são usadas para definir as áreas em que cada docente receberá reforço nas sessões de treinamento — uma estratégia que poderia inspirar as escolas brasileiras. Embora trabalhem no Harlem, os professores têm uma pressão comparável à de bancos de Wall Street.

A regra é clara: os de alto desempenho são promovidos; e os de baixa performance, demitidos — muitos pedem para sair. Em um ano, a rotatividade pode chegar a 50%. Nas salas de aula, os alunos são treinados à exaustão para os testes promovidos pela Secretaria de Educação estadual. Essa é a parte da receita da Success Academy que pode ser elogiada.

A parte mais polêmica é a maneira como as escolas da rede tratam as crianças e os jovens. Na porta da sala de aula é colado um cartaz com a classificação dos alunos de acordo com as notas das provas — os de pior desempenho ficam na área vermelha.

Nas aulas expositivas, os professores exigem que as crianças fiquem com a coluna ereta e com as mãos cruzadas. Vale até dar doces para os de bom comportamento. Nesse clima de extrema disciplina, uma parcela dos alunos acaba abandonando a escola — a evasão é de 50% ao longo de cinco anos.

“A Success tem uma lição a ensinar no que se refere à preparação para as provas. A saída de alunos, porém, é bastante preo­cupante”, diz Halley Potter, pesquisadora da Fundação Century. Críticas à parte, o governo do estado de Nova York tem o plano de dobrar o número de escolas da rede.

A escola The Equity Project (conhecida pela sigla em inglês TEP), outra charter de Nova York, tem um modelo que responde diretamente aos críticos da Success Academy. Atua em bairros pobres e faz questão de ter entre seus alunos, ao longo de todo o ano, a mesma proporção de crianças com dificuldades de aprendizagem encontrada em escolas públicas.

Ficar apenas com os de melhor desempenho não é uma opção. A escola foi fundada em 2008 por Zeke Vanderhoek, educador formado na Universidade Yale. Depois de trabalhar cinco anos no ensino público, Vanderhoek decidiu criar a própria escola para demonstrar na prática o que os estudiosos já sabiam na teoria: nenhum outro fator é tão importante para o aprendizado quanto a qualidade dos professores.

Por isso, paga, em média, o equivalente a 125 000 dólares por ano, o dobro do salário de um professor em Nova York. Como Vanderhoek faz questão de trabalhar com o mesmo orçamento disponível para as escolas públicas tradicionais, não aceita doações. Só conseguiu viabilizar o salário mais alto porque cortou gastos na área administrativa.

“Pago acima do mercado para poder cobrar mais”, diz. A The Equity Project, assim como a Success Academy, também demite os professores, mas num ritmo menos intenso. Todo ano, um em cada quatro perde o emprego por baixo rendimento — algo ainda impensável na rede pública brasileira, onde até docentes com excesso de faltas vivem sob a proteção da estabilidade de emprego.

De acordo com um estudo da consultoria Mathematica Policy ­Research encomendado pela fundação Bill & Melinda Gates, os alunos da The Equity Project aprendem, ao fim de quatro anos, o equivalente ao que os alunos da rede pública tradicional levam cinco anos e meio para aprender.

As escolas charter são admiradas por 70% da população dos Estados Unidos, mas apresentam desempenho desigual. Em Boston, onde estão as melhores, os estudantes aprendem matemática como se tivessem assistido a 230 dias a mais de aula do que os alunos de escolas públicas tradicionais. Já as charter de Las Vegas são as piores de toda a cidade.

Os jovens americanos têm um desempenho abaixo da média se comparados aos de outros países ricos. As autoridades americanas, porém, estão empenhadas em mudar isso. Para um país como o Brasil, que tem uma enorme dívida com as crianças pobres, acompanhar esses experimentos e se inspirar nos mais bem-sucedidos deveria ser uma lição de casa. Mas por aqui, infelizmente, as autoridades também mostram grande dificuldade de aprendizagem.